quinta-feira, 14 de abril de 2011

Por que a hipnose foi abandonada por Freud

Freud formou-se em medicina em 1881 e após trabalhar como anátomo-patologista, especializa-se em neuropsiquiatria. Faz um estágio em Paris, com Charcot, médico influente que fez muitos adeptos da hipnose, muito por conta de seu método que mais poderia ser comparado a um espetáculo. Charcot reunia um grande grupo de espectadores médicos e lhes apresentava o funcionamento da hipnose utilizando uma de suas pacientes e também médicos voluntários da platéia, retirava sintomas (paralisias, cegueiras, tremores...) como se fosse mágica, mas era ciência, era a comprovação da existência de um inconsicente.
Freud então teve um contato especial com a hipnose, que lhe pareceu a opção perfeita de tratamento para a histeria, afecção sem etiologia orgânica que incomodava médicos da época.
Em 1886 abre seu consultório em Viena, onde aplica a hipnose nas pacientes histéricas.
Ocorre que Freud começa a verificar que a hipnose surtia efeito apenas temporário para a retirada dos sintomas histéricos. Logo eles retornavam ou iguais, a mesma paralisia, ou o mesmo tremor; ou diferentes, surgia um tremor sem etiologia orgânica em quem estava com paralisia antes da hipnose, por exemplo. Freud então constatou que a hipnose apenas servia para provar que conteúdos podem ser armazenados em um local da mente, o inconsciente e que este inconsciente pode ser mexido.
Freud então começou a se dedicar a maneiras de tornar conscientes os conteúdos inconscientes que causavam sintomas. Foi então que transitou do método catártico para o método da associação livre, após abandonar completamente a hipnose.
O que podemos nos perguntar é se a hipnose que se utiliza hoje em dia tem alguma finalidade.
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Slavoj Zizek, Freud, Lacan e a realidade do gozo obrigatório

"Restam somente duas teorias que ainda indicam e praticam essa noção engajada de verdade: o marxismo e a psicanálise. Ambas são teorias de luta, não só teorias sobre a luta, mas teorias que estão, elas mesmas, engajadas numa luta: sua história não consiste num acúmulo de conhecimentos neutros, pois é marcada por cismas, heresias, expulsões. É por isso que, em ambas, a relação entre teoria e prática é propriamente dialética; em outras palavras, é de uma tensão irredutível: a teoria não é somente o fundamento conceitual da prática, ela explica ao mesmo tempo por que a prática, em última análise, está condenada ao fracasso – ou, como disse Freud de modo conciso, a psicanálise só seria totalmente possível numa sociedade que não precisasse mais dela." Slavoj Zizek

Zizek é um sociólogo, filósofo e crítico cultural esloveno.

Nasceu em Liubliana, na antiga Iugoslávia (hoje capital da Eslovênia). Doutorou-se em Filosofia na sua cidade natal e estudou psicanálise na Universidade de Paris.

É professor da European Graguate School e pesquisador sênior no Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. É também professor visitante em várias universidades nos EUA, entre as quais estão a Universidade de Columbia, Princeton, a New School for Social Research em Nova Iorque, e a Universidade de Michigan.

Zizek é conhecido por seu uso de Jacques Lacan numa nova leitura da cultura popular - como por exemplo, Alfred Hitchcock, David Lynch, o fundamentalismo e a tolerância, ideologia e subjetividade em tempos pós-modernos, entre outros.

Em 1990, candidatou-se à presidência da República da Eslovénia, perdeu a eleição e a partir de então continuou dedicando-se exclusivamente a produção intelectual.

Segundo ele, a psicanálise é um discurso que não impede de gozar (obter satisfação), mas que permite justamente não gozar. Você pode gozar, mas não sob a forma de uma regra, de uma interiorização 'superegoica' . Por isso, o pensamento freudiano (ou freudo-lacaniano) é mais atual do que nunca.

Numa realidade em que o gozo é obrigatório, surgem os sintomas desta interiorização superegóica, onde a psicanálise pode se inserir e realizar ressignificações, e no lugar da cobrança "eu tenho que ter isso e ser aquilo", abre-se a possibilidade do "eu não tenho que ter isso ou ser aquilo".

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O desejo e os sintomas

Wunsch = do alemão, significa desejo, designa sobretudo aspiração.

Laplanche e Pontalis nos dizem que o desejo inconsciente tende a realizar-se restabelecendo os sinais ligados às primeiras vivências de satisfação (que são experiências de apaziguamento de tensões internas criadas pela necessidade).
Ou seja, nós tentamos nos satisfazer tentando obter novamente aquela satisfação primária de uma primeira mamada no seio de nossa mãe. É uma busca bem frustrante, pois quando bebês nós sentimos o seio de nossa mãe como parte de nós e que está ali para nos satisfazer.
Enquanto adultos, a busca por satisfação requer muito mais esforço e nós vamos nos dando conta disso desde muito pequenos, e isso é bom.
Na realidade nós permanecemos com nossos desejos inconscientes de plena satisfação durante toda a vida e é exatamente pelo fato de a realidade não permitir que nos satisfaçamos plenamente que criamos nossos sintomas neuróticos. E somos praticamente todos neuróticos.
É num processo de análise que podemos reconhecer nossos sintomas para que então possamos aprender a lidar com eles com menos sofrimento e angústia.
Nunca é demais ressaltar, o processo analítico traz inúmeros benefícios.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A interpretação dos sonhos

"A interpretação dos sonhos" é um texto escrito em 1899, mas que por capricho de seu autor, levou data de 1900, pois seria um dos mais importantes textos do novo século. Não foi arrogância, isso de fato ocorreu! Não é à toa que hoje a Folha lança uma coleção de livros que mudaram o mundo e este encontra-se no meio deles. Segundo o próprio Freud a humanidade sofreu 3 feridas narcísicas: uma com Copérnico, quando este afirma que a Terra não está no centro do sistema solar; outra com Darwin, que nos mostra que somos uma espécie derivada de um animal e last but not least Freud nos deixaria inquietos com a idéia do inconsciente dominando nossos desejos e ações, ou seja, não somos donos de nossa razão.
Com este incrível texto, Freud nos mostra detalhadamente como a análise de um sonho conduz à idéias inconscientes, infantis e sexuais. Aliás outra idéia bem incômoda até hoje para qualquer pessoa é a da sexualidade infantil.
Freud, ao contrário do que muitos cientistas pensam, não deixou de considerar os aspectos biológicos do funcionamento cerebral, afinal ele era médico neurologista, ou o que mais se aproximava disto na época. Ele considera que o sonho tem, entre muitos aspectos, a função de possibilitar o sono, pois a mente não cessa seu funcionamento, então para possibilitar o sono, um descanso necessário para todo nosso aparato biológico, o sonho faz as vezes de funcionamento mental, sem funcionamento motor. Voi la!
O sonho teria ainda a função de homeostase mental, ele possibilita um trabalho de elaboração de desejos inconscientes, para que a mente possa se manter equilibrada. Entre outras funções, o sonho também é uma forma de realização de desejos. O sonhador realiza no sonho aquilo que não consegue realizar na realidade. O que ocorre é que na maioria das vezes o desejo inconsciente é tão proibitivo que o sonho se vale de mil disfarces para possibilitar a mente do sonhador alguma satisfação.
continua...