Quando vejo uma mãe que não consegue negar nada ao filho, prevejo um futuro muito infeliz para ele e para ela.
Dizer "não" é amar, mas muitas mães acham que não, que por muitas vezes fazerem o filho chorar, elas podem não estar fazendo bem a ele, mas estão.
O "não" ensina que o mundo impõe limites aos nossos desejos. Filhos que ouvem "não" estão mais preparados às possíveis frustrações que vierem a sofrer, e, cá pra nós, não há quem não as sofra.
O "não" contorna, explica a realidade. Assim como o "sim" acolhe, aconchega, o "não" protege, educa, previne, constrói, desenvolve. Os dois devem estar presentes e devem fazer sentido pra criança, não devem ser contraditórios e o ideal é que pai e mãe ou cuidadores estejam em sintonia quanto ao que merece um "sim" e o que necessita um "não".
O adulto que quando criança só ouviu "tá bom", "pode", "sim", "claro", "meu filho não pode ficar sem", corre o risco de se frustrar de forma muito sofrida diante dos "não posso", "não dá", "agora não", "você está demitido", "vamos terminar". E o curioso é que muitas vezes esse adulto sofrendo de frustração recorre à mãe, que fica desejando resolver as frustrações do filho, emprestando o dinheiro que ele deve ao banco, dando casa, comida e roupa lavada ao trintão desempregado, e por aí vai...
É algo simples, mas que resolve muitas coisas.
Claro que se a mãe está com muitas dificuldades em dizer "não", ela pode estar precisando de uma ajuda profissional, pois pode ser insuportável pra ela ser aquela que vai cortar o barato do filho, ainda que pra fazê-lo feliz no futuro.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
A linguagem dos sonhos
Os sonhos sempre se nos apresentam como um enigma a ser decifrado, nele a linguagem parece desconexa, sem sentido... é necessário um trabalho de análise para compreender o que o nosso inconsciente nos diz.
A interpretação de um sonho é um trabalho que requer associações livres de censura, para aos poucos desvendarmos o desejo encoberto pelas sobreposições de imagens que o sonho traz.
Penso que o sonho é como a linguagem poética, que possibilita inúmeros caminhos de compreensão. Um poema quando é escrito, externa algo muito particular de quem o escreveu, e nem sempre é possível compreender o sentido completo que o escritor quis dar.
Um poema quando é lido, pode gerar no leitor sentimentos e sensações muito diferentes daquelas que sentia o escritor. E cada leitor pode ter uma reação diferente frente àquela linguagem poética.
O sonho permite o mesmo fenômeno. O conteúdo do sonho só pode ser desvendado pelo próprio sonhador, o analista só faz facilitar o caminho. Conteúdos semelhantes em sonhadores diferentes, certamente dizem respeito a desejos diferentes.
Nossa mente é repleta de conteúdos que foram sendo depositados, como um baú velho, precisa ser aberto e mexido, para relembrar, para reencontrar, para reviver e para resignificar.
Finalizo o texto com um pequeno poema, arriscando-me nesta bela linguagem:
Encontro
onde anda lembrança
ontem ainda via
antes à mente vinha
quando virá de novo
o antigo que em mim
habita
PS.: agradeço aos comentários dos textos anteriores, caso desejem, escrevam no e-mail: danismid@usp.br
A interpretação de um sonho é um trabalho que requer associações livres de censura, para aos poucos desvendarmos o desejo encoberto pelas sobreposições de imagens que o sonho traz.
Penso que o sonho é como a linguagem poética, que possibilita inúmeros caminhos de compreensão. Um poema quando é escrito, externa algo muito particular de quem o escreveu, e nem sempre é possível compreender o sentido completo que o escritor quis dar.
Um poema quando é lido, pode gerar no leitor sentimentos e sensações muito diferentes daquelas que sentia o escritor. E cada leitor pode ter uma reação diferente frente àquela linguagem poética.
O sonho permite o mesmo fenômeno. O conteúdo do sonho só pode ser desvendado pelo próprio sonhador, o analista só faz facilitar o caminho. Conteúdos semelhantes em sonhadores diferentes, certamente dizem respeito a desejos diferentes.
Nossa mente é repleta de conteúdos que foram sendo depositados, como um baú velho, precisa ser aberto e mexido, para relembrar, para reencontrar, para reviver e para resignificar.
Finalizo o texto com um pequeno poema, arriscando-me nesta bela linguagem:
Encontro
onde anda lembrança
ontem ainda via
antes à mente vinha
quando virá de novo
o antigo que em mim
habita
PS.: agradeço aos comentários dos textos anteriores, caso desejem, escrevam no e-mail: danismid@usp.br
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Outra personalidade ao volante
Outro dia meu irmão perguntou-me porque algumas pessoas aparentemente tranqüilas se transformam em monstros ao volante. Na hora não refleti sobre o assunto, mas vou tentar algo aqui.
O indivíduo que ao andar nas calçadas esbarra em outro e pede desculpas, quando sentado frente ao volante, enfurece quando um esbarrão ou a possibilidade premente dele ocorre.
Uma das hipóteses é a de que dentro de um veículo, um certo poder é conferido ao indivíduo. Um poder de domínio e controle sobre a máquina, um poder de saber interagir perfeitamente com aquele invólucro metálico, e ainda de saber se movimentar perfeitamente no asfalto. Esse poder não existe no homem despido de uma armadura que esbarra em outro.
Suponho que o homem que é investido desse poder quase bélico e desse pleno saber sobre seu espaço automobilístico se julgue único e além disso perca a noção de que é apenas humano, pois sua armadura metálica torna-se parte de si.
Um homem armado é mais corajoso a enfrentar duelos do que um homem despido de armamento, ou armadura. E não só mais corajoso como mais desafiante.
Um homem corajoso, desafiante, armado, único, quando é desafiado em seu poder por alguma outra máquina que ultrapassa em sua frente, julgando ser ele menor, mais frágil, menos potente, é suficiente para colocá-lo louco para provar sua capacidade sobre-humana.
Este homem-máquina não vê homens despidos de armadura, vê outros homens-máquina que disputam seus espaços, suas colocações nas filas do trânsito, suas acrobacias automobilísticas.
Fora de suas armaduras, voltam a ser cordiais humanos que sorriem ao se esbarrarem, pois sabem-se carne e osso.
O indivíduo que ao andar nas calçadas esbarra em outro e pede desculpas, quando sentado frente ao volante, enfurece quando um esbarrão ou a possibilidade premente dele ocorre.
Uma das hipóteses é a de que dentro de um veículo, um certo poder é conferido ao indivíduo. Um poder de domínio e controle sobre a máquina, um poder de saber interagir perfeitamente com aquele invólucro metálico, e ainda de saber se movimentar perfeitamente no asfalto. Esse poder não existe no homem despido de uma armadura que esbarra em outro.
Suponho que o homem que é investido desse poder quase bélico e desse pleno saber sobre seu espaço automobilístico se julgue único e além disso perca a noção de que é apenas humano, pois sua armadura metálica torna-se parte de si.
Um homem armado é mais corajoso a enfrentar duelos do que um homem despido de armamento, ou armadura. E não só mais corajoso como mais desafiante.
Um homem corajoso, desafiante, armado, único, quando é desafiado em seu poder por alguma outra máquina que ultrapassa em sua frente, julgando ser ele menor, mais frágil, menos potente, é suficiente para colocá-lo louco para provar sua capacidade sobre-humana.
Este homem-máquina não vê homens despidos de armadura, vê outros homens-máquina que disputam seus espaços, suas colocações nas filas do trânsito, suas acrobacias automobilísticas.
Fora de suas armaduras, voltam a ser cordiais humanos que sorriem ao se esbarrarem, pois sabem-se carne e osso.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
O masoquismo feminino
A saída para a mulher atual parece não mais ser o masoquismo. Esclaresço: Desde Freud pensa-se que a mulher toma uma via masoquista rumo a seu mundo adulto. E dentre outros aspectos do masoquismo, salienta-se que para sair da casa dos pais, haveria de se casar e se submeter a um marido.
A mulher atualmente tem novas possibilidades de rumos e isso gera reflexos na sociedade: a nova estruturação da família, a nuance criada entre o que seja papel feminino e papel masculino, são alguns reflexos dessa nova postura da mulher.
Apesar das novas possibilidades para a mulher, para muitas ainda só é possível a via do masoquismo.
Estas sinceramente vislumbram uma vida feliz ao se imaginarem cuidando do marido e da família que venham a formar, e aos poucos vão se dando conta que se puseram numa armadilha difícil de sair... sem independência e muitas vezes sem estudo suficiente para ter uma alternativa a sua vida de dona-de-casa, elas se vêem atiradas no nada quando sofrem (e a palavra sofrer aqui ganha um sentido especial que é literalizado por elas) um abandono ou perda do marido.
Muitas vezes mesmo se submetendo a maus tratos e humilhações, não vislumbram outro caminho para suas vidas a não ser a permanência no mesmo estado de masoquista.
A construção de uma nova identidade e talvez de uma nova personalidade urge, livrar-se da armadilha e da zona de conforto desconfortável é uma transformação revolucionária muitas vezes necessária para proteger a vida de muitas mulheres..
A mulher atualmente tem novas possibilidades de rumos e isso gera reflexos na sociedade: a nova estruturação da família, a nuance criada entre o que seja papel feminino e papel masculino, são alguns reflexos dessa nova postura da mulher.
Apesar das novas possibilidades para a mulher, para muitas ainda só é possível a via do masoquismo.
Estas sinceramente vislumbram uma vida feliz ao se imaginarem cuidando do marido e da família que venham a formar, e aos poucos vão se dando conta que se puseram numa armadilha difícil de sair... sem independência e muitas vezes sem estudo suficiente para ter uma alternativa a sua vida de dona-de-casa, elas se vêem atiradas no nada quando sofrem (e a palavra sofrer aqui ganha um sentido especial que é literalizado por elas) um abandono ou perda do marido.
Muitas vezes mesmo se submetendo a maus tratos e humilhações, não vislumbram outro caminho para suas vidas a não ser a permanência no mesmo estado de masoquista.
A construção de uma nova identidade e talvez de uma nova personalidade urge, livrar-se da armadilha e da zona de conforto desconfortável é uma transformação revolucionária muitas vezes necessária para proteger a vida de muitas mulheres..
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